11 de março de 2014

Reflexões ao pé da arara - O que entra tem que sair



Eu sei, desapareci e não deixei recado. Precisei me afastar por uns tempos para me recuperar dos excessos das festas do fim de ano e das férias que vêm depois delas. Sabe o tender? Foi todo para as coxas. Sabe o pudim de ameixa, receita da Lady Lindt Faber-Castell que minha chef prepara todo ano na esperança de que, um dia, vai ser paga? Foi todo para a região glútea. Sabe o vestido Issa que comprei no ano passado? Não entra mais. Como ele, muitos outros.

Fiquei sabendo de um detox intensivo que o centro comunitário do bairro ia promover. Exercícios físicos e pouca restrição alimentar. E a promessa de tirar todas as impurezas do corpo. Até olho gordo. Gente, sem precisar fazer dieta? Sem ter de ir a um spa e pagar os olhos da cara para comer alface e uma fatia de cenoura no almoço, e meia folha de rúcula e uma fatia de maçã no jantar? Maravilha!

Pensando que o vestido Victor Dzenk logo logo ia voltar a servir, me matriculei. Lá fui eu toda empolgada. Mas nada nessa vida é de graça. Sete pessoas. Todas mulheres. Um pouco desconcertadas. Olheiras, pele sem viço. "Nossas, elas comeram mais tender do que eu no Natal." Algumas colocavam uns remedinhos na boca de hora em hora. "Que aplicadas, já começaram o detox. Que remedinho é esse que eu não ganhei? Será que é porque não paguei? Mas ótimo, turma pequena, maior aproveitamento", pensei eu com os meus botões de cristal.

No primeiro dia, o professor diz que teríamos que fazer exercícios em dupla. As duplas são responsáveis por corrigir os possíveis erros das parceiras. Teríamos sempre que pensar na nossa parceira e nos esforçarmos ao máximo. E sempre prestarmos atenção à respiração. "Moleza, observar a respiração é o que eu mais faço na vida."

Segundo dia. "Minha parceira é perfeita! Faz tudo na maior classe. Até o louro do cabelo dela é perfeito. Não fosse o fato de ser tailandesa, passaria por sueca." Minha vez de fazer os exercícios. Eu, de cabelo preto L’Oréal pra disfarçar os brancos (nada a ver com idade, e sim genética), perna esquerda passa por cima da direita... Não, era a perna esquerda por cima da direita, né? E é na contagem de 4 que a gente levanta o braço? Não, era na 3. Vixi! Mal eu tinha acabado de me levantar e a sueca começa: "TEM QUE MANTER A RESPIRAÇÃO! É A PERNA DIREITA, NÃO A ESQUERDA! TÁ TUDO ERRADO, TÁ TUDO HORRÍVEL, EU VOU PERDER PONTOS, NÃO É SÓ VOCÊ QUE PERDE, EU PERCO POOOOOOONTOOOOOOOOOO!!!!!!!!!..." E começou a berrar, a demonstrar freneticamente como fazer o exercício. Nem um fio de cabelo fora do lugar. O meu, todo arrepiado. De medo. Agora entendo como os homens se sentem quando a gente tem uma crise histérica. É por isso que ficam calados, sem reação. Estão apavorados. Homens: vocês merecem todo meu respeito!

Que história é essa de ponto, gente? Ninguém me disse nada. Vim aqui pra desintoxicar e perder uns quilinhos no processo. No intervalo, fui falar com ela. A relação tinha que terminar. E ela:
- VOCÊ FICOU LOUCA? EU SÓ QUERO TE AJUDAR! TE AJUDAR! TE AJUDAR!!!!!!!!!!!!!!!!
- É que... Sabe? O problema não sou eu, é você. Sinto muito, mas não dá.

Uma conversa com o professor resolveu a situação e fez-se a troca de parceiras. A sueca não falou mais comigo. Eu a via escrevendo furiosamente no caderno, números, datas, sinais de subtração, e uma data em especial circulada em vermelho sangue, com vários sinais de subtração. Sempre que ela chegava nessa data, olhava para mim, e eu fazia figa com a mão atrás das costas.

Depois da tempestade, vem a bonança. E a nossa foi no dia da desintoxicação final. Recebemos a orientação de não tomarmos café da manhã. Oba, última aula, aposto que prepararam um super-café da manhã pra gente! Chegando lá, a surpresa: "Hoje vocês vão vomitar". E aponta para o banheiro florido. É. Dois litros e meio de água morna com sal. Beber, beber, beber até não aguentar mais, enfiar o dedo na garganta e vomitar, vomitar, vomitar. Prestando atenção à respiração. E bebe mais, e enfia o dedo na garganta, e vomita mais. E o professor dizendo: "Excellent! Wonderful!" Esse fetiche eu não conhecia.
Sete pessoas vomitando, pálidas, testa suada, blusa ensopada. No final, a sueca parecia possuída! Ria histericamente. Atrapalhou o cabelo, pegou a bolsa Prada, disse que voltaria para saber a nota, pegar o certificado de conclusão (?!!!), e foi embora. Nem esperou a parte da irrigação do cólon!

O Victor Dzenk ainda não serve. Mas, graças à sueca, o detox valeu cada centavo que eu não paguei. 

Um comentário:

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